Alocação em rodovias¶
A aba Alocação em rodovias carrega a matriz OD sobre a malha rodoviária real (SNV/DER), calcula a capacidade de cada trecho pelo procedimento do HCM 6ª edição e devolve volume, relação volume/capacidade (v/c) e nível de serviço por arco. É o resultado que a rede sintética da aba AoN (Delaunay) não consegue dar — lá não há capacidade.
Escopo: rodovias rurais/interurbanas
A capacidade vem do HCM cap. 15 (pista simples, duas faixas) e do
cap. 12 (pista dupla / multifaixa / freeway). Travessias urbanas
dentro da malha são marcadas com escopo='urbano' e contadas no aviso
final, mas não são recalculadas por procedimento urbano — o
procedimento urbano do HCM (caps. 16-19) exige dados de semáforo que a
base oficial não traz. Leia esses arcos com reserva.
A rede: camada existente ou download via GisBR¶
O grupo Rede ("Network") tem duas opções, mutuamente exclusivas:
| Opção | O que preencher | Quando usar |
|---|---|---|
| Usar uma camada existente ("Use an existing layer") | Camada de rodovias e, opcionalmente, Campo de id do link | Você já tem a malha carregada no projeto (arquivo local, recorte próprio) |
| Baixar via GisBR (malha oficial SNV/DER) | UF (sigla de 2 letras) e a caixa Recortar para a extensão dos centroides | Quer a malha oficial baixada na hora |
O Campo de id do link é opcional: serve para o campo link_id da saída
apontar de volta para o identificador da sua base. Sem ele, o plugin gera um
id próprio.
O download depende do plugin GisBR
A opção de download só habilita se o plugin GisBR estiver instalado — sem ele, o aviso no topo da aba fica visível e o plugin volta sozinho para Usar uma camada existente. O resto da aba funciona normalmente com camada própria; só o download é bloqueado.
Com Recortar para a extensão dos centroides marcada, a área de estudo é a envoltória dos centroides mais o raio de conector (Conector máximo). Isso limita o download e também recorta uma camada existente — rede menor, grafo mais rápido. Se o recorte falhar, o plugin avisa e segue com a malha inteira.
Parâmetros HCM: nada é assumido em silêncio¶
O grupo Parâmetros HCM traz uma linha por parâmetro (tipo de segmento, faixas, terreno, % de veículos pesados, FFS, PHF, largura de faixa e acostamento, ultrapassagem proibida, densidade de acessos, divisão direcional, alfa e beta do BPR). Cada linha oferece duas saídas: um valor global, digitado ali, e um campo da camada de rodovias que vale mais que ele.
A ordem de precedência, por arco e por parâmetro, é:
| Precedência | Origem | Registrada como |
|---|---|---|
| 1º | Campo da camada de rodovias (o field: da linha, quando preenchido) | oficial |
| 2º | Valor global digitado na aba | usuario |
| 3º | Padrão do catálogo do plugin | padrao |
A proveniência vai para a camada de saída
Cada arco carrega um campo src_<parâmetro> com oficial, usuario ou
padrao, e a mensagem final resume quantos (arco, parâmetro) vieram de
cada origem. É o que separa "capacidade calculada com o dado da base" de
"capacidade calculada com o padrão de fábrica" — ver
Parâmetros HCM.
Calcular capacidade sem alocar¶
O botão Calcular capacidade ("Compute capacity") roda só a parte HCM:
monta os arcos a partir da malha, resolve os parâmetros e publica a camada
capacidade_hcm, com volume = 0. Serve para conferir a capacidade e a
proveniência antes de gastar tempo com a alocação — e não exige matriz nem
centroides, só a rede.
Arcos cuja capacidade sai zero ou inválida são descartados, e o plugin diz quantos: mantê-los faria o v/c dividir por zero e reportar nível de serviço F onde na verdade falta dado.
A alocação¶
O grupo Alocação pede a matriz e os centroides:
| Campo | O que escolher |
|---|---|
| Matriz OD ("OD matrix") | Camada da matriz — o combo lista camadas sem geometria |
| Origem / Destino | Colunas de id de zona na matriz |
| Demanda (veíc/h) ("Demand (veh/h)") | Coluna numérica de demanda — aqui a unidade importa: a capacidade HCM é em veículos por hora por sentido |
| Centroides ("Centroids") | Camada de centroides |
| ID de Tráfego ("Traffic id") | Campo dos centroides com o mesmo id usado em Origem/Destino |
| Conector máximo (m) ("Max connector (m)") | Distância máxima aceita entre um centroide e o nó mais próximo da malha (padrão 5000 m) |
Cada centroide é ligado à malha por um conector de ida e volta, com capacidade alta e custo desprezível — ele existe só para injetar a demanda na rede, não representa via nenhuma. Centroide cujo nó mais próximo está além do Conector máximo fica fora da alocação, e o plugin diz quantos.
Método: AoN ou Equilíbrio MSA + BPR¶
| Método | Como carrega | Quando usar |
|---|---|---|
| Tudo-ou-Nada (sem restrição de capacidade) | Uma passada pelo caminho de menor tempo a fluxo livre; todo o fluxo do par vai por esse caminho | Diagnóstico de sobrecarga: onde a demanda excede a capacidade se ninguém desviar |
| Equilíbrio MSA + BPR | Iterativo: o tempo de cada arco cresce com o carregamento (função BPR, t = t0 · (1 + α·(v/c)^β)) e a demanda se redistribui pela média de sucessivas (MSA) |
Estimativa de carregamento com congestionamento realimentado |
Iterações (padrão 10) e Tolerância do gap (padrão 0,01) só valem para o MSA — com AoN selecionado, os dois campos ficam desabilitados. O MSA para quando o gap cai abaixo da tolerância ou quando as iterações acabam; a mensagem final informa o gap alcançado e em quantas iterações.
Sob AoN, v/c > 1 não é equilíbrio — é sobrecarga
No AoN a capacidade nunca volta para o custo, então nada impede que um arco receba mais viagens do que comporta. O gap sai como "n/a" de propósito. Um v/c acima de 1 ali diz "a demanda excede a capacidade neste trecho", não "este é o carregamento de equilíbrio".
O resultado¶
A camada sai no mesmo GeoPackage de saída, com nome conforme o método —
alocacao_aon ou alocacao_msa (e capacidade_hcm pelo botão de
capacidade) — e é estilizada por v/c em classes fixas de A a F (verde até
0,35; roxo grosso acima de 1,00). Campos principais:
| Campo | Significado |
|---|---|
arc_id / link_id / sentido |
Identificação do arco dirigido e do link de origem (fw/bw) |
faixas, comp_m, vel_livre |
Faixas por sentido, comprimento em metros, velocidade de fluxo livre |
capacidade |
Capacidade HCM, em veíc/h por sentido |
volume |
Volume alocado no arco |
vc |
volume / capacidade |
los |
Nível de serviço aproximado, derivado do v/c (o LOS oficial do HCM usa densidade/velocidade média de viagem) |
tempo_h, atraso_h |
Tempo de viagem no arco e atraso sobre o fluxo livre |
metodo, escopo |
Método usado (aon/msa/capacidade) e rodoviario, urbano ou conector |
src_* |
Proveniência de cada parâmetro HCM: oficial, usuario ou padrao |
A mensagem de sucesso ao final é onde as perdas aparecem: pares alocados, número de arcos, resumo de proveniência, contagem de arcos urbanos, gap, linhas da matriz com id desconhecido e pares inalcançáveis (rede desconexa). Vale ler — ver Campos de saída e Solução de problemas.
Os ids precisam usar o mesmo esquema
Se Origem, Destino e ID de Tráfego não usarem a mesma codificação, nenhum par casa e a alocação aborta com aviso. Mesma armadilha da Matriz OD.
Próximo passo: Exemplos.